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Salve 6 de Julho ou Reflexões para aniversariante

Postado por Adalberto Moreno em 12 de agosto de 2013

Pedro Son1

Aniversário é sempre um momento alegre e festivo e uma oportunidade de celebração da vida com os amigos e chegados. Mas também é momento ímpar de rememorarmos as conquistas, reavaliar o passado e, na análise pormenorizada dos acontecimentos, ir construindo nosso futuro. Jeremoabo faz 88 (oitenta e oito) anos hoje (06.07.2013) de transformação em cidade e comemora mais um ano de crescimento e maturidade. Emancipada desde 25.10.1831 por um Decreto que transformava em Vila, celebra também seus 182 (cento e oitenta e dois) anos de vida plena da rédea de seu destino. E nossa história repleta de grandes passagens e personagens, de Barão a Governadores, de Coronéis, de Deputados, de cangaceiros e soldados, de heróis e bandidos, de gente simples de uma força imensa, é a mais bela história de formação de um povo porque é a nossa história! Primeiro eram os índios da tribo Tupinambás, aqui divididos em moungurus e cariacás, que habitavam nossas terras, que cultivavam a abóbora gerimum, atividade que deu nome à nossa cidade: gerimum abo (em indígena plantação de abóboras) e que começam a serem catequizados pelas mãos dos jesuítas que acompanhavam o poderoso Garcia D’Ávila, almoxarife de Tomé de Souza, primeiro governador do Brasil, herdeiro por sesmaria de grande extensão de terra no Nordeste, inclusive a área onde estamos situados e que compreendia grande extensão. Os proprietários eram transformados em coadjuvantes do poderio do Senhor da Casa da Torre e auxiliavam o desbravamento e aproveitamento das nossas terras para a agricultura e pecuária. Coadjuvantes ou escravos do trabalho forçado para enriquecimento dos nobres? Quando quiseram resistir auxiliados por alguns religiosos tiveram igreja e casas incendiadas! Em 1698, nossos primeiros passos, nosso aprender a caminhar quando somos transformados em julgado, espécie de juizado que decidia as questões mais corriqueiras de seus habitantes, deixando prá trás os tempos de sermos apenas arraial. Em abril de 1718 novos passos, novo crescimento, quando somos elevados a Freguesia (paróquia) de São João Baptista de Jerimuabo do Sertão de Cima, embora subordinado ao município de Itapicuru, para finalmente, em 1831 nos livrarmos das amarras e recebermos a emancipação, a liberdade expressa, pelo menos aparentemente, pela Câmara Municipal, órgãos públicos como correios, escolas, etc. Saíamos do domínio dos grandes senhores feudais para começarmos uma nova história dominada por coronéis, latifundiários e herdeiros de alguns desses senhores do passado, mas alcançávamos um ponto para a plena cidadania. Essas reflexões passadas nos ajudam a

entender nossa história para, nos erros e acertos, irmos construindo o caminho pleno para um futuro melhor.

Da nossa história mais recente, é hora de refletirmos sobre os acontecimentos que marcaram o último ano de Jeremoabo. Particularmente, enumero quatro grandes momentos que marcam os maiores acontecimentos do ano que passou, considerando-se assim o tempo decorrido entre julho de 2012 e julho de 2013: 1. A eleição da primeira prefeita da história do município; 2. O projeto Criança Brincando e se Transformando; 3. A seca que maltratou nossa região e 4. O aumento considerável da violência.

1. A ELEIÇÃO DA PRIMEIRA PREFEITA

Em Outubro de 2012, a população eleitoral elegeu Anabel de Sá Lima como a primeira prefeita eleita do município, quebrando uma tabu e rompendo uma tradição machista segmentada há décadas, 57 anos depois de termos Ana Melo como a primeira vereadora jeremoabense. É um fato a ser comemorado numa terra acostumada aos mandos e desmandos de coronéis e poderosos, onde as mulheres, até um passado bem recente, limitavam-se ao seu papel de donas prendadas do lar. É um sinal de maturidade por mais que saibamos que a mulher que ascende ao poder é esposa de uma dos maiores líderes políticos de nossa história.

2. O PROJETO CRIANÇA BRINCANDO E SE TRANSFORMANDO

Nascido no âmbito do Poder Judiciário, idealizado pelo agora cidadão jeremoabense, Dr. Antonio Henrique da Silva, o Projeto veio despertar as comunidades da Comarca de Jeremoabo sobre a problemática da criança e do adolescente, buscando soluções e envolvimento pleno dos setores públicos, políticos, institucionais e sociedade para fazer valer de verdade o Estatuto da Criança e do Adolescente além de fortalecer o papel e atuação dos Conselhos Tutelares. Além disso, cada etapa do projeto é um momento grandioso de atividades lúdicas, esportivas e culturais.

3. A SECA

A seca foi o grande flagelo dos últimos anos, castigando fortemente nosso município, afetando a agropecuária e, por consequência, nossas atividades produtivas e comerciais. Foram longos meses sem chuva e a situação quase chega á beira do insustentável porque a água para o consumo humano estava no fundo do poço. Até que em abril de 2013 a água milagrosa começou novamente a alentar a região.

4. A VIOLÊNCIA

Era um tema que hesitei muito em colocar. Não queríamos discuti-lo com a profundidade que o momento requer porque era melhor não existir o estado atual. Mas o crescimento de delitos criminosos aliados a ocorrências que afetam a segurança da população tem amedrontado e mudado rotinas. Foram muitos assassinatos e roubos á mão armada com elementos

encapuzados; foram algumas escolas que tiveram seus bens subtraídos; foram cidadãos que tiveram seus ganhos arrancados à força; foram crimes praticados à luz do dia sem eu tenhamos um só autor preso (na tapera, no assentamento, no bairro José Nolasco, na feira livre, etc).

Além deste destaque temos muito que comemorar neste ano que passou coo, por exemplo, a inauguração da Agência da Caixa Econômica Federal; a instalação do Espaço Nordeste, ligado ao Banco do Nordeste e que vem oportunizando ações culturais diversas; a visita da delegação do País africano, Zâmbia, propiciando um intercâmbio cultural de grande valia; o lançamento dos livros “Mosaico”, de Pedro Son e “Soldados da Luz”, de Roberto Santana; a profissionalização do jogador de futebol jeremoabense Jemerson no Atlético Mineiro; e os novos sacerdotes, condutores do povo de Deus, Patrick e João Batista. Foram muitos e tantos acontecimentos que demonstram a plena atividade de uma cidade que quer mais e mais encher-se de luz e paz em busca do seu lugar na constelação dos grandes centros para se

VISOR: Salve 6 de Julho ou Reflexões para aniversariante

Postado por Adalberto Moreno em 7 de julho de 2013

Pedro Son1

 

Aniversário é sempre um momento alegre e festivo e uma oportunidade de celebração da vida com os amigos e chegados. Mas também é momento ímpar de rememorarmos as conquistas, reavaliar o passado e, na análise pormenorizada dos acontecimentos, ir construindo nosso futuro. Jeremoabo faz 88 (oitenta e oito) anos hoje (06.07.2013) de transformação em cidade e comemora mais um ano de crescimento e maturidade. Emancipada desde 25.10.1831 por um Decreto que transformava em Vila, celebra também seus 182 (cento e oitenta e dois) anos de vida plena da rédea de seu destino. E nossa história repleta de grandes passagens e personagens, de Barão a Governadores, de Coronéis, de Deputados, de cangaceiros e soldados, de heróis e bandidos, de gente simples de uma força imensa, é a mais bela história de formação de um povo porque é a nossa história! Primeiro eram os índios da tribo Tupinambás, aqui divididos em moungurus e cariacás, que habitavam nossas terras, que cultivavam a abóbora gerimum, atividade que deu nome à nossa cidade: gerimum abo (em indígena plantação de abóboras) e que começam a serem catequizados pelas mãos dos jesuítas que acompanhavam o poderoso Garcia D’Ávila, almoxarife de Tomé de Souza, primeiro governador do Brasil, herdeiro por sesmaria de grande extensão de terra no Nordeste, inclusive a área onde estamos situados e que compreendia grande extensão. Os proprietários eram transformados em coadjuvantes do poderio do Senhor da Casa da Torre e auxiliavam o desbravamento e aproveitamento das nossas terras para a agricultura e pecuária. Coadjuvantes ou escravos do trabalho forçado para enriquecimento dos nobres? Quando quiseram resistir auxiliados por alguns religiosos tiveram igreja e casas incendiadas! Em 1698, nossos primeiros passos, nosso aprender a caminhar quando somos transformados em julgado, espécie de juizado que decidia as questões mais corriqueiras de seus habitantes, deixando prá trás os tempos de sermos apenas arraial. Em abril de 1718 novos passos, novo crescimento, quando somos elevados a Freguesia (paróquia) de São João Baptista de Jerimuabo do Sertão de Cima, embora subordinado ao município de Itapicuru, para finalmente, em 1831 nos livrarmos das amarras e recebermos a emancipação, a liberdade expressa, pelo menos aparentemente, pela Câmara Municipal, órgãos públicos como correios, escolas, etc. Saíamos do domínio dos grandes senhores feudais para começarmos uma nova história dominada por coronéis, latifundiários e herdeiros de alguns desses senhores do passado, mas alcançávamos um ponto para a plena cidadania. Essas reflexões passadas nos ajudam a

entender nossa história para, nos erros e acertos, irmos construindo o caminho pleno para um futuro melhor.

Da nossa história mais recente, é hora de refletirmos sobre os acontecimentos que marcaram o último ano de Jeremoabo. Particularmente, enumero quatro grandes momentos que marcam os maiores acontecimentos do ano que passou, considerando-se assim o tempo decorrido entre julho de 2012 e julho de 2013: 1. A eleição da primeira prefeita da história do município; 2. O projeto Criança Brincando e se Transformando; 3. A seca que maltratou nossa região e 4. O aumento considerável da violência.

1. A ELEIÇÃO DA PRIMEIRA PREFEITA

Em Outubro de 2012, a população eleitoral elegeu Anabel de Sá Lima como a primeira prefeita eleita do município, quebrando uma tabu e rompendo uma tradição machista segmentada há décadas, 57 anos depois de termos Ana Melo como a primeira vereadora jeremoabense. É um fato a ser comemorado numa terra acostumada aos mandos e desmandos de coronéis e poderosos, onde as mulheres, até um passado bem recente, limitavam-se ao seu papel de donas prendadas do lar. É um sinal de maturidade por mais que saibamos que a mulher que ascende ao poder é esposa de uma dos maiores líderes políticos de nossa história.

2. O PROJETO CRIANÇA BRINCANDO E SE TRANSFORMANDO

Nascido no âmbito do Poder Judiciário, idealizado pelo agora cidadão jeremoabense, Dr. Antonio Henrique da Silva, o Projeto veio despertar as comunidades da Comarca de Jeremoabo sobre a problemática da criança e do adolescente, buscando soluções e envolvimento pleno dos setores públicos, políticos, institucionais e sociedade para fazer valer de verdade o Estatuto da Criança e do Adolescente além de fortalecer o papel e atuação dos Conselhos Tutelares. Além disso, cada etapa do projeto é um momento grandioso de atividades lúdicas, esportivas e culturais.

3. A SECA

A seca foi o grande flagelo dos últimos anos, castigando fortemente nosso município, afetando a agropecuária e, por consequência, nossas atividades produtivas e comerciais. Foram longos meses sem chuva e a situação quase chega á beira do insustentável porque a água para o consumo humano estava no fundo do poço. Até que em abril de 2013 a água milagrosa começou novamente a alentar a região.

4. A VIOLÊNCIA

Era um tema que hesitei muito em colocar. Não queríamos discuti-lo com a profundidade que o momento requer porque era melhor não existir o estado atual. Mas o crescimento de delitos criminosos aliados a ocorrências que afetam a segurança da população tem amedrontado e mudado rotinas. Foram muitos assassinatos e roubos á mão armada com elementos

encapuzados; foram algumas escolas que tiveram seus bens subtraídos; foram cidadãos que tiveram seus ganhos arrancados à força; foram crimes praticados à luz do dia sem eu tenhamos um só autor preso (na tapera, no assentamento, no bairro José Nolasco, na feira livre, etc).

Além deste destaque temos muito que comemorar neste ano que passou coo, por exemplo, a inauguração da Agência da Caixa Econômica Federal; a instalação do Espaço Nordeste, ligado ao Banco do Nordeste e que vem oportunizando ações culturais diversas; a visita da delegação do País africano, Zâmbia, propiciando um intercâmbio cultural de grande valia; o lançamento dos livros “Mosaico”, de Pedro Son e “Soldados da Luz”, de Roberto Santana; a profissionalização do jogador de futebol jeremoabense Jemerson no Atlético Mineiro; e os novos sacerdotes, condutores do povo de Deus, Patrick e João Batista. Foram muitos e tantos acontecimentos que demonstram a plena atividade de uma cidade que quer mais e mais encher-se de luz e paz em busca do seu lugar na constelação dos grandes centros para se viver. PARABÉNS, JEREMOABO!

VISOR: A tradição do Grupo de Zabumba Liberato de Jeremoabo

Postado por Adalberto Moreno em 18 de junho de 2013

VISOR: A vida de uma dama jeremoabense

Postado por Adalberto Moreno em 17 de maio de 2013

VISOR: Suicídio em Jeremoabo

Postado por Adalberto Moreno em 4 de março de 2013

CASO 1: Jeremoabo foi tomada por um sentimento de choque e incredulidade, pela morte de uma criança, de 11 anos, de iniciais M.M.M, por enforcamento, com todos os indícios apontando suicídio, ocorrida em 02 de março 2013. Era, pelo que todos dizem, uma criança alegre aparentemente, participava de todas as brincadeiras com colegas, possuía uma hiperatividade incrível e não demonstrava quaisquer atitudes que levassem a imaginar que fosse capaz do pior. Sofria, entretanto, com questões familiares ligadas à separação dos pais.

CASO 2: No dia 08 de novembro de 2011, a jovem Uiaria de Jesus Carvalho, de 23 anos, foi encontrada morta dentro de casa, na Rua Santa Cruz, no centro de Jeremoabo, também com uma corda no pescoço. Bela , alegre, funcionária da loja GBarbosa, não demonstrava atitudes que levasse a imaginar que seria capaz do pior. As causas não foram apuradas até hoje. CASO 3: No dia 31 de março de 2012, o jogador Alexsandro Jesus Matos, conhecido como “Alex”, 36 anos, residente na Rua Santa Cruz, no centro da cidade de Jeremoabo, faleceu vítima de enforcamento. Atleta que defendeu grandes clubes de nossa cidade, também não demonstrara atitudes que levasse a imaginar que seria capaz do pior. Morreu por amor.

CASO 4: No dia 23 de fevereiro de 2013, um senhor de 43 anos, Manoel, atira-se em frente a um ônibus e morre por atropelamento. Segundo dizem, não suportou a separação da esposa e família. Apesar de beber muito não demonstrava atitudes que levasse a imaginar que seria capaz do pior.

Todas as ocorrências acima pontuadas aconteceram aqui em Jeremoabo e deixou nossa sociedade perplexa, e apresentam como ponto comum, a ausência de indícios que levassem ao cometimento de tal ato. As alegrias, muitas vezes, são apenas aparências e ninguém sabe o que vai pela alma de cada um. Estes dias, um colaborador da Secretaria de Educação, quando lá estive, disse uma frase emblemática: “- Sinto-me só no meio de uma multidão e, pior, ninguém percebe isso.” O que acontece com nossos sentimentos de companheirismo, de fraternidade, de amor? Por que não enxergamos o outro que sofre e que muitas vezes está ali ao nosso lado? Quais nossos valores hoje? Estes dias uma jovem solicitou permissão para ser minha amiga no facebook e, após minha aceitação, mandou-me uma mensagem que me deixou muito inquieto. Dizia ela, após agradecer pela confiança do meu aceite: “- Pedro Son gostaria de partilhar com vc que sinto falta de conversar com pessoas instruídas assim no meu mundo juvenil.”. Depois de conversarmos mais percebi que a “pessoa instruída”, como ela tratava, era alguém que fosse capaz de compreender as angústias de uma juventude que ainda resiste na manutenção de valores éticos e cristãos que desaparecem aos poucos: o amor, a paz, a compreensão, a humildade, a amizade, etc. Nossos jovens clamam ajuda, assim como as nossas crianças e adolescentes. Nenhuma das mortes causou maior impacto do que o suicídio do pré-adolescente M.M.M., não existindo registro formal ou alguém que recorde de fato semelhante em nossa cidade nesta faixa de idade. No Brasil e no Mundo, tem crescido consideravelmente o número de suicidas infantis. O suicídio é hoje a terceira causa de morte na adolescência, e nos últimos 10 anos, têm aumentado, no Brasil, em jovens entre 15 a 24 anos, mais de 20 vezes de 1980  para 2000, principalmente entre homens (Wang, Bertolote, 2005). Entre as causas, apontadas por Saudoina Fernandes de Abreu, estão: o rompimento ou ameaça de término de um romance, uma gravidez (real ou imaginária), fracasso escolar, conflitos com os pais, separação dos pais, rejeição por parte de um amigo, ser apreendido num ato delinquente, perda de uma pessoa querida ou de um dos pais ,medo de doença grave ou colapso mental iminente, problemas financeiros, drogas, fatores genéticos (ou seja, se um dos pais já teve depressão, é provável que algum dos filhos venha a ter depressão também), etc.

Até os 6 a 7 anos a criança encontra-se na fase do pensamento pré-lógico, com predomínio do pensamento mágico e, nesta fase, a idéia de morte é limitada e não envolve uma emoção em especial. Aos 11 a 12 anos, há passagem do pensamento concreto para o pensamento abstrato (PIAGET , 2000) e, nesta etapa, surge a preocupação com a vida após a morte (Toress, 1999). O jovem entra no mundo através de profundas alterações no seu corpo, deixando para trás a infância e é lançado num mundo desconhecido de novas relações com os pais, com o grupo de iguais e com o mundo. Assim, invadido por forte angústia, confusão e sentimento de que ninguém o entende, que está só e que é incapaz de decidir corretamente seu futuro. Isso ocorre, principalmente, se o jovem estiver num grupo familiar também em crise, por separação dos pais, violência doméstica, alcoolismo ou doença mental de um dos pais, doença física ou morte (Resmini, 1997). Eis o quadro do qual nosso pré-adolescente foi vítima!

CONCLUSÃO

Ainda há tempo de agirmos para transformar, primeiro, pensando em nós mesmos, numa auto-reflexão sobre o papel que estamos exercendo neste momento crucial de crise. Será que estamos representando bem nosso papel? E a partir dessas reflexões juntarmos as forças restantes para buscar salvar nossas crianças e nossos jovens, antes que seja demasiadamente tarde. Antes, as coisas aconteciam longe demais de nós. Era cômodo. Sofríamos ao longe. Agora as coisas começam acontecer nos quintais de nossas casas. Recentemente, foi lançado em nossa comunidade o “Projeto Criança Brincando e se Transformando”, passo importante, mas precisamos de muito mais. É um primeiro caminho para unirmos dons, talentos, motivação, doação e vontade de fazer acontecer. Ou a vaca vai para o brejo

BIBLIOGRAFIA

  1. CANDIANI, Márcio. Suicídio na Adolescência. Disponível em http://marciocandiani.site.med.br/index.asp?PageName=Suic-EDdio. Acesso em 03.03.2013, 19:20 hs

2.     ABREU, Saudoina Fernandes. Suicídio infantil. Disponível em http://www.webartigos.com/artigos/suicidio-infantil-o-que-leva-uma-crianca-e-adolescente-a-cometerem-suicidio/50656/. Acesso em 03.03.2013, 19:30 hs

 


[1] Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Ex- Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA). Publicado em 03.03.2013

VISOR: Suicídio em Jeremoabo

Postado por Adalberto Moreno em 15 de janeiro de 2013

Pedro Son[1]

CASO 1: Jeremoabo foi tomada por um sentimento de choque e incredulidade, pela morte de uma criança, de 11 anos, de iniciais M.M.M, por enforcamento, com todos os indícios apontando suicídio, ocorrida em 02 de março 2013. Era, pelo que todos dizem, uma criança alegre aparentemente, participava de todas as brincadeiras com colegas, possuía uma hiperatividade incrível e não demonstrava quaisquer atitudes que levassem a imaginar que fosse capaz do pior. Sofria, entretanto, com questões familiares ligadas à separação dos pais.

CASO 2: No dia 08 de novembro de 2011, a jovem Uiaria de Jesus Carvalho, de 23 anos, foi encontrada morta dentro de casa, na Rua Santa Cruz, no centro de Jeremoabo, também com uma corda no pescoço. Bela , alegre, funcionária da loja GBarbosa, não demonstrava atitudes que levasse a imaginar que seria capaz do pior. As causas não foram apuradas até hoje. CASO 3: No dia 31 de março de 2012, o jogador Alexsandro Jesus Matos, conhecido como “Alex”, 36 anos, residente na Rua Santa Cruz, no centro da cidade de Jeremoabo, faleceu vítima de enforcamento. Atleta que defendeu grandes clubes de nossa cidade, também não demonstrara atitudes que levasse a imaginar que seria capaz do pior. Morreu por amor.

CASO 4: No dia 23 de fevereiro de 2013, um senhor de 43 anos, Manoel, atira-se em frente a um ônibus e morre por atropelamento. Segundo dizem, não suportou a separação da esposa e família. Apesar de beber muito não demonstrava atitudes que levasse a imaginar que seria capaz do pior.

Todas as ocorrências acima pontuadas aconteceram aqui em Jeremoabo e deixou nossa sociedade perplexa, e apresentam como ponto comum, a ausência de indícios que levassem ao cometimento de tal ato. As alegrias, muitas vezes, são apenas aparências e ninguém sabe o que vai pela alma de cada um. Estes dias, um colaborador da Secretaria de Educação, quando lá estive, disse uma frase emblemática: “- Sinto-me só no meio de uma multidão e, pior, ninguém percebe isso.”O que acontece com nossos sentimentos de companheirismo, de fraternidade, de amor? Por que não enxergamos o outro que sofre e que muitas vezes está ali ao nosso lado? Quais nossos valores hoje? Estes dias uma jovem solicitou permissão para ser minha amiga no facebook e, após minha aceitação, mandou-me uma mensagem que me deixou muito inquieto. Dizia ela, após agradecer pela confiança do meu aceite: “- Pedro Son gostaria de partilhar com vc que sinto falta de conversar com pessoas instruídas assim no meu mundo juvenil.”. Depois de conversarmos mais percebi que a “pessoa instruída”, como ela tratava, era alguém que fosse capaz de compreender as angústias de uma juventude que ainda resiste na manutenção de valores éticos e cristãos que desaparecem aos poucos: o amor, a paz, a compreensão, a humildade, a amizade, etc. Nossos jovens clamam ajuda, assim como as nossas crianças e adolescentes. Nenhuma das mortes causou maior impacto do que o suicídio do pré-adolescente M.M.M., não existindo registro formal ou alguém que recorde de fato semelhante em nossa cidade nesta faixa de idade. No Brasil e no Mundo, tem crescido consideravelmente o número de suicidas infantis. O suicídio é hoje a terceira causa de morte na adolescência, e nos últimos 10 anos, têm aumentado, no Brasil, em jovens entre 15 a 24 anos, mais de 20 vezes de 1980  para 2000, principalmente entre homens (Wang, Bertolote, 2005). Entre as causas, apontadas por Saudoina Fernandes de Abreu, estão: o rompimento ou ameaça de término de um romance, uma gravidez (real ou imaginária), fracasso escolar, conflitos com os pais, separação dos pais, rejeição por parte de um amigo, ser apreendido num ato delinquente, perda de uma pessoa querida ou de um dos pais ,medo de doença grave ou colapso mental iminente, problemas financeiros, drogas, fatores genéticos (ou seja, se um dos pais já teve depressão, é provável que algum dos filhos venha a ter depressão também), etc.

Até os 6 a 7 anos a criança encontra-se na fase do pensamento pré-lógico, com predomínio do pensamento mágico e, nesta fase, a idéia de morte é limitada e não envolve uma emoção em especial.Aos 11 a 12 anos, há passagem do pensamento concreto para o pensamento abstrato(PIAGET , 2000) e, nesta etapa, surge a preocupação com a vida após a morte (Toress, 1999).O jovem entra no mundo através de profundas alterações no seu corpo, deixando para trás a infância e é lançado num mundo desconhecido de novas relações com os pais, com o grupo de iguais e com o mundo.Assim, invadido por forte angústia, confusão e sentimento de que ninguém o entende, que está só e que é incapaz de decidir corretamente seu futuro.Isso ocorre, principalmente, se o jovem estiver num grupo familiar também em crise, por separação dos pais, violência doméstica, alcoolismo ou doença mental de um dos pais, doença física ou morte (Resmini, 1997). Eis o quadro do qual nosso pré-adolescente foi vítima!

 CONCLUSÃO

Ainda há tempo de agirmos para transformar, primeiro, pensando em nós mesmos, numa auto-reflexão sobre o papel que estamos exercendo neste momento crucial de crise. Será que estamos representando bem nosso papel? E a partir dessas reflexões juntarmos as forças restantes para buscar salvar nossas crianças e nossos jovens, antes que seja demasiadamente tarde. Antes, as coisas aconteciam longe demais de nós. Era cômodo. Sofríamos ao longe. Agora as coisas começam acontecer nos quintais de nossas casas. Recentemente, foi lançado em nossa comunidade o “Projeto Criança Brincando e se Transformando”, passo importante, mas precisamos de muito mais. É um primeiro caminho para unirmos dons, talentos, motivação, doação e vontade de fazer acontecer. Ou a vaca vai para o brejo

.BIBLIOGRAFIA

  1.  CANDIANI, Márcio. Suicídio na Adolescência. Disponível em http://marciocandiani.site.med.br/index.asp?PageName=Suic-EDdio. Acesso em 03.03.2013, 19:20 hs

 

  1. ABREU, Saudoina Fernandes. Suicídio infantil. Disponível em http://www.webartigos.com/artigos/suicidio-infantil-o-que-leva-uma-crianca-e-adolescente-a-cometerem-suicidio/50656/. Acesso em 03.03.2013, 19:30 hs

 

 



[1]Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Ex- Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA). Publicado em 03.03.2013

 

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Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Ex- Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA)

Esse Cara sou Eu

Postado por Adalberto Moreno em 21 de novembro de 2012

Esse Cara sou Eu

Pedro Son[1]

Não é o que você está pensando! Esse cara não sou eu!

Mas tem um cara que está arrebentando com esse negócio. Que cara é esse?

Estes dias eu estava nas Lojas Americanas em Paulo Afonso (merchadising gratuita), procurando aqui e ali uns presentinhos para amigos e família, e puto da vida, junto com outros companheiros impacientes, pela demora do jovem do caixa me liberar. Eu estava apenas acompanhando a esposa! Não é que o sistema do caixa deu pane … “espera reiniciar aí, é um instante só …”.  Instante!? Quase deixamos lá. Aliás, deixamos uns beijus de tapioca antes numa barraquinha lá no centro da cidade. Esperamos, esperamos e esperamos e nada da danada da moça liberar os danados beijus de queijo e coco. Fomos embora!

Mas voltemos ao nosso esperar da Americanas! Estávamos ali, danados da vida, todos em volta de cara fechada. Engraçado é que parecia que a zanga de todas era conosco pela demora no caixa e o danado nada de nos liberar. Aí, aconteceu um pequeno milagre! Começa a tocar no som da loja a música “esse cara sou eu”, do Rei Roberto Carlos. Pronuncio assim, com um prazer arretado: Rei Roberto. As fisionomias eram outras! Todos mais relaxados e até minha impaciência … cadê … saiu por onde … foi-se. O clímax vem na letra da música. “E no meio da noite te chama, prá dizer que te ama”. Pausa total. Pausa na música. Pausa na respiração. E todos entoam com o Rei: “Esse cara sou eu”. Estou dizendo todos. Ninguém conseguiu segurar o refrão. Parecia um ensaio geral acertado de primeira.

“Esse cara” só podia ser mesmo Roberto. Outro cantando não parece ter a mesma amplitude mas com ele soa verdadeiro, é possível de acreditar. Roberto Carlos tem cruzado gerações e mais gerações com sua melodia e letras que o desnuda verdadeiramente. Nesta música aparece sozinho sem o seu companheiro infindo Erasmo Carlos.

Nem podemos dizer quando ele começa a se dizer que era o cara. Não há um momento histórico, um evento, uma saudade ou uma dor mais forte. A falta que ele sente agora “apaixonado te olha e te diz, que sentiu sua falta e reclama” é a mesma de Quero que vá tudo para o Inferno “Só tenho você no meu pensamento e a sua ausência é todo o meu tormento”, ou de por isso eu corro de mais “meu bem qualquer instante que eu fico sem você”.

Ah! Esse Rei Roberto. Amante, saudoso, apaixonado, entregue a desenfreadas paixões e o “cara” esperado e sonhado por muitas. Poderia aqui citar tantas outras canções e composições para comprovar mas acho que nem precisa. Não precisa mostrar para mais ninguém quem é “esse cara”. O cara que não lançava músicas inéditas desde 2003, naquele disco que embalou “prá sempre” a sua deusa Maria Rita e aparece com essa preciosidade cantada em verso e prosa, num álbum com apenas quatro músicas que já é o mais vendido em todas as lojas de departamento mesmo com toda pirataria, permanecendo desde 1963 presente constantemente na música popular brasileira.  Um feito e tanto!

O que diz a crítica importa? Nem sempre. Mas vamos ao que diz José Teles: Esse cara sou eu é simples como o que ele compunha nos anos 60. Não está entre suas canções mais inspiradas, porém traz um bom humor que ele parecia ter perdido. A letra de um romantismo sem firulas, e a melodia básica, e assoviável à primeira audição fazem a receita certa para cair no gosto popular. “Um dia eu recebi a visita da ilustre amiga Glória Perez. Mostrei uma música e ela falou que era perfeita para o casal principal da novela. É uma honra cantar para os personagens de Nanda Costa e RodrigoLombardi. Fiz essa música falando do cara que toda mulher gostaria de ter e que todo homem gostaria de ser. E é o cara que eu tento ser”, explicou Roberto Carlos, em seu site oficial, como a música foi parar na novela Salve Jorge.

A música faz tanto sucesso que virou brincadeira nas redes sociais. “Se tem alguém que vai ser salvo pelo seu 13º, esse cara sou eu”, “Se tem alguém esperando a sexta-feira, esse cara sou eu”, “Se alguém vai trazer marmita até o final do mês porque o vale refeiçãoacabou, esse cara sou eu”.  E assim segue nosso Rei segurando seu lugar no céu da eternidade musical e mostrando que tem pique para ir mais além!

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ESSE CARA SOU EU

O cara que pensa em você toda hora, Que conta os segundos se você demora, Que está todo o tempo querendo te ver, Porque já não sabe ficar sem você, E no meio da noite te chama, Pra dizer que te ama, Esse cara sou eu

O cara que pega você pelo braço, Esbarra em quem for que interrompa seus passos, Está do seu lado pro que der e vier, O herói esperado por toda mulher, Por você ele encara o perigo, Seu melhor amigo, Esse cara sou eu

O cara que ama você do seu jeito, Que depois do amor você se deita em seu peito, Te acaricia os cabelos, te fala de amor, Te fala outras coisas, te causa calor, De manhã você acorda feliz, Num sorriso que diz, Esse cara sou eu

Eu sou o cara certo pra você, Que te faz feliz e que te adora, Que enxuga seu pranto quando você chora, Esse cara sou eu,

O cara que sempre te espera sorrindo, Que abre a porta do carro quando você vem vindo, Te beija na boca, te abraça feliz, Apaixonado te olha e te diz, Que sentiu sua falta e reclama, Ele te ama, Esse cara sou eu



[1]Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Ex- Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA)

 

VISOR: As mulheres e a Política Jeremoabense

Postado por Adalberto Moreno em 18 de julho de 2012

VISOR: As mulheres e a Política Jeremoabense

Postado por Adalberto Moreno em 25 de junho de 2012

Juliana Melo de Carvalho

Após a definição das candidaturas ao pleito municipal que se aproxima, pela primeira vez uma mulher disputa o cargo máximo como candidata à Prefeita e numa chapa formada conjuntamente com outra mulher como candidata à Vice-Prefeita, com chances reais de um momento histórico para Jeremoabo, embora a disputa seja definida democraticamente pelos três candidatos que postulam o cargo. Neste sentido, teríamos o segundo ponto de ruptura política, contrariando as tendências de dominação dos homens no setor, depois de outro ponto atrás quando João Ferreira, o homem vindo do sertão, contraria a lógica de então e se sagra Prefeito, rompendo uma linha dominante vinda dos coronéis ou abastados da época. A questão das mulheres é ainda mais emblemática e por mais que entendamos que surgem num momento praticamente forçado pelas circunstâncias, demonstra que elas, de maneira geral, deixam de ser coadjuvantes para serem protagonistas principais de um novo ciclo da história municipal, que advém da luta de outras grandes mulheres em busca desta conquista Brasil a fora.

A mulher na política brasileira

A participação política foi, durante muitos anos, proibida para as mulheres durante grande parte de nossa história, sendo engado a todos os principais direitos políticos como, por exemplo, votar e se candidatar.  Apenas em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, é que as mulheres conquistaram o direito do voto e puderam se candidatar a cargos políticos, e, já em 1933, Carlota Pereira de Queirós era eleita a primeira deputada federal brasileira, seguindo-se outras conquistas femininas como: em 1979, Euníce Michiles tornou-se a primeira senadora do Brasil;em 1989, Maria Pio de Abreu do Partido nacional éa primeira candidata feminina a Presidência da República;em 1995, Roseana Sarney tornou-se a primeira governadora brasileira e, em 31 de outubro de 2010, Dilma Rousseff, torna-se a primeira mulher presidente da República no Brasil.

A mulher na política jeremoabense

E em Jeremoabo como foi constituída esta trajetória? Somos uma terra de mulheres fortes e guerreiras, tendo por trás dos grandes Coronéis e figuras notáveis jeremoabenses uma mulher a dar-lhes o suporte necessário para as lides, sem esquecer que a forte e bela Maria Bonita, rainha do cangaço brasileiro nasceu em terras jeremoabenses na época. Na política, chegam nos anos 50, com Juliana Melo de Carvalho, primeira professora e primeira vereadora, no mandato de 1955 a 1958, chegando a assumir a Presidência da Câmara de 07.06.1955 a dezembro de1955, recebendo em 1958 a companhia de Anna Melo de Carvalho, que era suplente, eassumiu a vaga de vereadora. Depois destas pioneiras, apenas em 1972, voltamos a ter outra vereadora, a Sra. Ailta Silva Reis, representante da região de Sítio do Quinto, que defendeu o mandato de novembro de 1972 a 1976. Outro hiato de tempo e em 15.11.1982 são eleitas duas vereadoras: Mara Lúcia Andrade Lima Melo, que chega a ser Presidente da Câmara, e Josefa Elma Andrade Soares, que não são reeleitas. Em 03.10.1992, Ana Josefina Melo de Carvalho é eleita vereadora, sendo reeleita em 1997 e 2001, ficando de fora em 2005 e retornando em 2009, num total de 16 anos de mandato. Em 1996, assume também outra representante feminina, Irene Santana da Silva, sendo reeleita desde então, perfazendo um total de 16 anos de mandato. Em 2001, Maria Rosineide de Sá Lima é a primeira moradora da zona rural a ser eleita vereadora.

Em resumo temos:

Mandato

Vereadoras

1955/1958

Juliana Melo de Carvalho e Anna Melo de Carvalho (apenas 1 ano)

1972/1976

Ailta Silva Reis

1982/1988

Maria Lúcia Andrade Lima Melo e Josefa Elma Andrade Soares

1989/1992

Nenhuma mulher

1992/1996

Ana Josefina Melo de Carvalho

1997/2000

Ana Josefina Melo de Carvalho e Irene Santana da Silva

2001/2004

Ana Josefina Melo de Carvalho, Irene Santana da Silva e Maria Rosineide de Sá Lima

2005/2008

Irene Santana da Silva

2009/2012

Ana Josefina Melo de Carvalho e Irene Santana da Silva

Conclusão

O caminho está traçado e, mais cedo ou miais tarde, acompanhando a trajetória mundial, haveríamos de ter mulheres navegando neste mar ora calmo e ora bravio da política, buscando possivelmente um rumo novo e diferente de nós homens, se aplicados fielmente todos os conceitos administrativos aprendidos na prática e na força na condução dos lares brasileiros. Lições de economia, sensibilidade, distribuição e controle, elas podem dar tranquilamente. O que nós esperamos é que estes conceitos sejam realmente aplicados, aliados ao jeito feminino de ver, sentir e agir, baseados na ternura e carinho mas aliados à força e, principalmente, à coragem de dizer sim e não quando necessário. Abram alas!


[1] Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA)

VISOR: São João 2012, Amor e Dor?

Postado por Adalberto Moreno em 9 de abril de 2012

Pedro Son[1]

O município encontra-se em polvorosa, com a possibilidade de não termos, neste ano, a realização da maior das festas jeremoabenses: o São João.  São duas as razões principais: primeiro a seca que assola toda Jeremoabo e Bahia, com quase 200 municípios em estado de emergência, como o nosso, sendo uma das secas de maior profundidade dos últimos trinta anos, com pessoas sofrendo com sede e, em alguns casos, com fome mesmo. Para se ter uma ideia, abastecemos algumas escolas do município com carros-pipas, em cisternas, que, geralmente chega a dois meses de abastecimento. Uma dessas escolas, semana passada, teve praticamente sua água levada pela população do povoado (não vou citar apenas para preservação) porque todos estavam sem água, com as fontes e cisternas que abasteciam praticamente vazias, e, é claro, autorizamos a utilização da água que, em poucas horas, acabou.

A segunda razão, talvez mais forte, vem do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia que, oficializou, no ultimo dia 26 de abril, o veto a realização de festas tradicionais como São João e micaretas, justificando-se pelas sérias dificuldades enfrentadas por grande parte dos Municípios baianos, afetados pela seca prolongada, emitindo a Ordem de Serviço Nº 014/12, que determina a todos os Inspetores Regionais que “exerçam, no particular, uma fiscalização rigorosa no sentido de apurar se os Municípios atingidos pela seca estão promovendo tais festejos, para que a matéria seja objeto de apuração pelo Egrégio Plenário, inclusive no que diz respeito à razoabilidade dos gastos realizados, em razão das dificuldades anteriormente mencionadas. Caso fique evidente o procedimento irrazoável do gestor, deve-se lavrar contra o mesmo o necessário termo de ocorrência.” E agora, José? Alguém ousa desafiar.

Pense numa coisa complicada! Por um lado, o sofrimento de nossos irmãos, e só sente isso quem está lá no problema. Nós, estamos em casa, água e comida toda hora, em nossa zona de conforto, no “bem bom” e, às vezes, nem percebemos esse sofrer em nosso derredor e, por isso, o problema não nos afeta. Por outro lado, o São João é um momento forte de nossa economia. É a hora em que muita gente também pega seu dinheirinho, as lojas vendem mais e todos ganham. Inibir isso não é trazer mais sofrimentos para todos? Não é aumentar as dificuldades que podem passar a ser de todos indistintamente? Não é trazer mais problemas para os parcos recursos municipais que poderá injetar mais dinheiro para socorro das grandes dificuldades que advirão?

Agora, acho sim que tínhamos que ter um freio, um limite, uma prudência, que o Tribunal poderia taxar de duas formas: 1. percentual da receita bruta anual arrecadada pelo Município, de quase 60 milhões anuais, tipo máximo de 1%, aí incluídos gastos totais com bandas e logística para a festa ou ainda 2. percentual dos gastos do São João passado, tipo máximo de 40% dos gastos de 2011. Nos dois casos, evidenciava-se a redução e o esforço municipal no atendimento da situação emergencial que se apresenta.

O fato é que a discussão está posta! Sei que é um problemão para ser decidido por nosso Gestor em exercício, Pedro Bonfim, e que a sociedade precisa amadurecer como discussão e entendimento dos pontos acima elencados. Por último, a atenção deve ser efetuada também pelo comércio local e prestadores de serviços que mais ganham com a festa: não é a hora de juntar-se a discussão e começar um plano para ajudar a bancar a festa, tirando a obrigação com os custos apenas da Prefeitura Municipal, porque não seria maior o prejuízo para estes se não acontecer o São João?

Enfim, o título desta crônica é proposital e aumenta a nossa reflexão em torno do tema. Podemos sim ter uma festa de amor, paz e alegria para uns e de tristeza profunda para outros, se Deus, na sua infinda misericórdia, não botar a mão no meio e trazer, logo, logo, a chuva que pode trazer outro alento para nosso povo.


[1] Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA)

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