VISOR: São João 2012, Amor e Dor?

Postado por Adalberto Moreno em 9 de abril de 2012

Pedro Son[1]

O município encontra-se em polvorosa, com a possibilidade de não termos, neste ano, a realização da maior das festas jeremoabenses: o São João.  São duas as razões principais: primeiro a seca que assola toda Jeremoabo e Bahia, com quase 200 municípios em estado de emergência, como o nosso, sendo uma das secas de maior profundidade dos últimos trinta anos, com pessoas sofrendo com sede e, em alguns casos, com fome mesmo. Para se ter uma ideia, abastecemos algumas escolas do município com carros-pipas, em cisternas, que, geralmente chega a dois meses de abastecimento. Uma dessas escolas, semana passada, teve praticamente sua água levada pela população do povoado (não vou citar apenas para preservação) porque todos estavam sem água, com as fontes e cisternas que abasteciam praticamente vazias, e, é claro, autorizamos a utilização da água que, em poucas horas, acabou.

A segunda razão, talvez mais forte, vem do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia que, oficializou, no ultimo dia 26 de abril, o veto a realização de festas tradicionais como São João e micaretas, justificando-se pelas sérias dificuldades enfrentadas por grande parte dos Municípios baianos, afetados pela seca prolongada, emitindo a Ordem de Serviço Nº 014/12, que determina a todos os Inspetores Regionais que “exerçam, no particular, uma fiscalização rigorosa no sentido de apurar se os Municípios atingidos pela seca estão promovendo tais festejos, para que a matéria seja objeto de apuração pelo Egrégio Plenário, inclusive no que diz respeito à razoabilidade dos gastos realizados, em razão das dificuldades anteriormente mencionadas. Caso fique evidente o procedimento irrazoável do gestor, deve-se lavrar contra o mesmo o necessário termo de ocorrência.” E agora, José? Alguém ousa desafiar.

Pense numa coisa complicada! Por um lado, o sofrimento de nossos irmãos, e só sente isso quem está lá no problema. Nós, estamos em casa, água e comida toda hora, em nossa zona de conforto, no “bem bom” e, às vezes, nem percebemos esse sofrer em nosso derredor e, por isso, o problema não nos afeta. Por outro lado, o São João é um momento forte de nossa economia. É a hora em que muita gente também pega seu dinheirinho, as lojas vendem mais e todos ganham. Inibir isso não é trazer mais sofrimentos para todos? Não é aumentar as dificuldades que podem passar a ser de todos indistintamente? Não é trazer mais problemas para os parcos recursos municipais que poderá injetar mais dinheiro para socorro das grandes dificuldades que advirão?

Agora, acho sim que tínhamos que ter um freio, um limite, uma prudência, que o Tribunal poderia taxar de duas formas: 1. percentual da receita bruta anual arrecadada pelo Município, de quase 60 milhões anuais, tipo máximo de 1%, aí incluídos gastos totais com bandas e logística para a festa ou ainda 2. percentual dos gastos do São João passado, tipo máximo de 40% dos gastos de 2011. Nos dois casos, evidenciava-se a redução e o esforço municipal no atendimento da situação emergencial que se apresenta.

O fato é que a discussão está posta! Sei que é um problemão para ser decidido por nosso Gestor em exercício, Pedro Bonfim, e que a sociedade precisa amadurecer como discussão e entendimento dos pontos acima elencados. Por último, a atenção deve ser efetuada também pelo comércio local e prestadores de serviços que mais ganham com a festa: não é a hora de juntar-se a discussão e começar um plano para ajudar a bancar a festa, tirando a obrigação com os custos apenas da Prefeitura Municipal, porque não seria maior o prejuízo para estes se não acontecer o São João?

Enfim, o título desta crônica é proposital e aumenta a nossa reflexão em torno do tema. Podemos sim ter uma festa de amor, paz e alegria para uns e de tristeza profunda para outros, se Deus, na sua infinda misericórdia, não botar a mão no meio e trazer, logo, logo, a chuva que pode trazer outro alento para nosso povo.


[1] Pedro Pereira da Silva Filho, Administrador de Empresas, MBA USP/FIA. Pós-graduado Administração de Cidades. Especialista em Docência e Metodologia. Secretário municipal Educação Jeremoabo (BA)

8 Comentário

  1. Jussimara disse:

    Concordo com o senhor Pedro,é tanto que este ano eu e Damiana juntamente com o grupo de crisma subimos a serra e lá rezamos juntos a via-sacra.O objetivo foi para que pudessémos dar sentido a subida da serra,mas também para fazer um momento de perdão e reflexão.
    Essa idéia vai mudar a cara da nossa cidade e ajudar todo povo a dar mais valor a nossa história,ao que temos.
    Parabenizo o Senhor Pedro Pereira por essa iniciativa,que Deus o abençõe e lhe dê os meios necessários para realização desse sonho!

  2. Pedro Son disse:

    É claro que Jussimara se reportava a coluna anterior sobre o sentido da Serra da Santa Cruz.Quanto ao São João, começam os debates. Uns contra outros a favor. Isso é bom!

  3. ANTONIO CARLOS SOARES disse:

    Pedro Son seu comentário foi muito bom,mais acho que o TCM esta certo,fazer festa com o povo passando fome.

  4. JERÊ disse:

    NÃO QUEREMOS SABER SE VAI OU NÃO TER SÃO JOÃO, E SIM, RERSOVE O PROBLEMAS DA SECA.

  5. Marcos lisboa disse:

    são joão de dor com estas bandas

  6. Antonio Nolasco Ribeiro de camaçari disse:

    Pedro isso é muito relativo, festas as vezes dá resultado, no caso do são João em Jeremoabo não concordo com o tcm, em parte primeiro tem que ser sem prejuiso aos cofres publico, esse é o papel do tcm, não proibir que faça a festa, mesmo porque se souber organizar a festa todo mundo ganha, inclusive o monicipio, e a população!

  7. josé rubem santana nunes disse:

    se vivemos em um país democratico porque não fazemos um plebiscito com o povo jeremoabense a respeito do são joão.

  8. bacelar disse:

    Fala aí Pedro Son ,
    um abraço amigo, foi um prazer ver sua coluna, fui ver o absurdo do caso dos ciganos e me deparei com seus escritos
    Meus parabéns
    um abraço, recomendações a todos
    Bacelar Jacobina


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