Autoridades alertam para o risco de estiagem na Bahia

Postado por Adalberto Moreno em 19 de junho de 2015

Mapeamento aponta para a previsão de falta de chuvas em quase toda a Bahia

SecaO alerta foi dado na Assembleia Legislativa, durante a sessão especial Água é Vida: a estiagem no estado será forte com a ocorrência severa do fenômeno El Niño, que se anuncia com o resfriamento do Oceano Pacífico. O evento, promovido por iniciativa da deputada Fátima Nunes (PT), reuniu algumas das principais autoridades ligadas ao meio ambiente e recursos hídricos na Bahia.  O mapeamento do regime de chuvas realizado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta para a previsão de falta de chuvas em quase toda a Bahia até setembro e um forte  indício de que o El Niño ocorrerá em breve.

Alarmada com as informações apresentadas pelo dirigente, Fátima Nunes avisou que vai promover outra sessão especial ou audiência pública para discutir alternativas de enfrentamento da seca, a exemplo da distribuição de cisternas. Outra opção para enfrentar a estiagem são as reservas subterrâneas e, neste aspecto, a boa notícia veio do diretor de Meio Ambiente e recurso Hídricos da Cerb, Godofredo Lima Júnior. Em uma apresentação bastante didática, ele revelou que a Bacia de Tucano, no âmago do semiárido, pode dobrar a extração hídrica sem haver rebaixamento significativo do aquífero.

A Cáritas, entidade que tem a meta de construir um milhão de cisternas no Nordeste, esteve representada na sessão pelo padre Francisco Almeida, que revelou preocupação com o esgotamento dos recursos hídricos. Para ele, o modelo desenvolvimentista é incompatível com o desenvolvimento sustentável. “Não sou contra a exploração econômica, mas tem que respeitar os limites da natureza”, definiu, criticando o uso excessivo de água pelo agronegócio.

O diretor técnico e de planejamento da Embasa, César Ramos, falou sobre a perda de água, que muitas vezes pode chegar até a 70%. Um dos pontos levantados foi sobre as ligações clandestinas, onde se registra bastante desperdício. Segundo ele, o consumo médio de uma ligação regular é de 18 metros cúbicos, enquanto a Embasa detectou que ligações clandestinas chegam a representar um consumo mensal de 43 mil litros. Segundo ele, os vazamentos na rede e os famosos “gatos” em Salvador representam o consumo de uma cidade do porte de Feira de Santana.

A questão ambiental foi enfatizada também pela promotora Cristina Seixas, coordenadora do Centro de Apoio do Meio Ambiente. A promotora explicou que existem situações muito claras para o Ministério Público do ponto de vista do acesso à água. Para ela, o princípio é que se tenha a consciência da finitude do recurso hídrico e poder garantir que todos os usos efetivamente se concretizem e aprimorar técnicas de reuso da água. “Crise hídrica me parece que é falta de gestão ou má gestão”, considerou, afirmando que “precisamos garantir a democratização do uso da água”

Fonte: D.O. da ALBA


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