Jemerson leva o nome de Jeremoabo ao mundo

Jemerson Monaco 3Revelado pelo Atlético-MG, o zagueiro Jemerson chamou a atenção do público geral na temporada de 2015. Seguro e firme na defesa, o jogador hoje com 24 anos também balançava as redes sempre que aproveitava uma bola levantada na área adversária. Não demorou muito para que uma proposta do exterior chegasse a mesa da diretoria do clube mineiro.

No início de 2016, Jemerson foi vendido ao Mônaco, da França, por 11 milhões de euros (cerca de R$ 48 milhões). Em entrevista ao Correio Braziliense, o baiano de Jeremoabo (BA) comentou como foi o período de transição e adaptação ao futebol francês, Seleção Brasileira, revela dispensa de clubes de São Paulo e agradece o carinho que sempre recebeu do torcedor atleticano.

Jemerson, que agora irá disputar as quartas de final do principal torneio da Europa, conta como foi a trajetória no início da carreira e das dificuldades que passou antes de receber um “sim” em um teste realizado no Atlético.

“Eu brinco que sou feliz porque eu tive a minha infância. Geralmente, jogadores começam muito novos e perdem a infância. Eu comecei um pouquinho tarde. Iniciei com 16 anos. Ir para um time profissional sem passar pela base é tarde. Comecei com 16, 17 anos… Eu estudava, brincava e trabalhava na roça com os meus pais. Capinava, fazia de tudo um pouco. Mas o foco dos meus pais era sempre nos meus estudos“, diz.

Confira outros trechos da entrevista:

Quem descobriu o Jemerson para o futebol?

Um amigo (José Oliveira) me viu jogando em Jeremoabo e perguntou se eu não queria fazer um teste. Havia um campeonato regional e estavam pegando jogadores para disputar a competição. Aceitei na hora. O cara gostou de mim. Fui fazer um teste no Confiança-SE. Imagina o que era isso para um cara de Jeremoabo (risos)! Fomos eu e mais dois amigos. Fiquei lá (no Confiança) um ano e pouco e disputei a Copa São Paulo. A família ajudava. Quando faltava dinheiro dos parentes, eu pedia para amigos. Assim que eu cheguei no Confiança-SE, comecei a ter apoio do meu empresário. Foi quando o meu empresário me levou para fazer um teste no Atlético. Passei. Os outros dois amigos voltaram para Jeremoabo e eu vim parar aqui para Mônaco.

Antes do Galo você foi recusado em outros clubes?

Fiz teste no Santos, no Palmeiras, no Vasco, mas foi no Atlético que deu certo. Não é que foi doído, mas o caso que me deixou chateado foi do Santos. O teste durou dois meses. Chegou no fim, o cara disse que eu não estava aprovado. Fiquei pra baixo, mas tranquilo. Eu segui a vida. A gente ouve vários nãos, mas a vida não acaba, um dia dá certo.

Como tem sido a vida em Mônaco?

Tem muito luxo, só festa, mas eu não ligo pra isso, não. Levo uma vida tranquila, sossegada, como se eu estivesse em Belo Horizonte, onde morei por seis anos. Não é porque eu vim para Mônaco que vou mudar o meu dia a dia. Sou um cara muito simples, não preciso ser uma pessoa que eu nunca fui. A minha vida é simples, independentemente do lugar. Se fosse até para escolher entre Mônaco e BH, eu ficaria com BH (risos).

E o idioma?

Voltei a fazer francês. Estou na terceira aula. Parei uns quatro, cinco meses, mas voltei. É difícil. Eu tenho tradutor quando vou dar entrevistas, mas, no dia a dia, a minha esposa é quem fala. Eu fico calado, mas eu vou aprender (risos).

Sobre seleção, você chegou a ter alguma conversa com o Tite?

Não tive contato com o Tite. Seleção depende muito do que estou fazendo no clube. O Mônaco está bem. Somos líderes do Campeonato Francês e estamos nas quartas da Liga dos Campeões. Quando a oportunidade chegar, eu espero estar pronto.

Pensa em disputar a Copa de 2018?

Está em aberto. Nada é impossível. Tem muita coisa para rolar até a Copa. Jogadores que estão bem, hoje, podem estar melhor ou pior amanhã. Um ano é muita coisa no futebol.

Importância do Atlético na sua carreira?

Agradeço ao Galo por tudo que me proporcionou. Foi quem me fez profissional, me levou para dentro do campo com aquela torcida maravilhosa apoiando.

Quem é o time da virada: o Barcelona ou o Atlético?

Contra o Corinthians e o Flamengo foram jogos históricos. Eu não estava jogando, mas fazia parte do grupo. O Galo é famoso por isso. Poucos times têm tantas viradas assim. As reviravoltas do Atlético ficaram para a história.

Está acompanhando o Gabriel, nova aposta do Atlético para a zaga?

Eu vi o Gabriel jogar na base. Todos falavam que ele era bom e está mostrando isso agora. Que ele continue nessa batida e faça um caminho igual ou melhor do que o meu.

Um Comentário

  1. Genivaldo Alves disse:

    Parabéns ao nosso conterrâneo, torço muito por ele e agradeço pela humildade sempre, conheço ele e família sei das dificuldades que passou na vida e que ele nunca esqueça dessas dificuldades e das pessoas que ainda hoje sofrem. Sou fã dele pq sei q permanecer com essa humildade em meio a tanto luxo, mulher e dinheiro é muito difícil.


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