Paripiranga: estudantes da Ages fazem protesto dentro da faculdade

Postado por Adalberto Moreno em 19 de agosto de 2013

O dia de sábado começou tenso para os estudantes e funcionários da Faculdade Ages. Logo pela manhã, por volta das 9h00 do dia 17 de agosto, os alunos resolveram manifestar sua indignação por uma atitude constrangedora criada pela instituição.

AgesO dia de sábado começou tenso para os estudantes e funcionários da Faculdade Ages. Logo pela manhã, por volta das 9h00 do dia 17 de agosto, os alunos resolveram manifestar sua indignação por uma atitude constrangedora criada pela instituição. No dia 29 de julho foi criada uma portaria que teria validade a partir do dia seguinte. Nela informava sobre o cartão de entrada para passar pelas catracas. Para ter acesso às salas de aula é preciso ter esse cartão, caso algum aluno esquecesse, poderia ir até o setor administrativo e pegar uma via provisória. Entretanto, com a criação dessa portaria, os alunos ficariam impossibilitados de pegar um cartão provisório.

Entenda a notificação:Protesto dos alunos na Faculdade Ages BahiaLogo, todos os professores ficaram incumbidos de ler a nota para os ageanos. Dessa forma, todos estavam cientes do que se tratava. Entretanto, dentre os quatro artigos pregados na portaria, nenhum afirmava o que aconteceria caso algum aluno não estivesse portando o cartão na hora da entrada. Uma aluna, que pediu para não ser identificada, afirmou que não estava com seu passaporte e teve sua entrada barrada. Ela não tinha como pegar um cartão provisório porque estava suspenso e teria que voltar para casa e buscá-lo. Caso não tivesse como, teria que pagar uma taxa de R$ 17,00 para ter entrada à sala de aula. Indignada com a situação, ela declarou: “É impossível ir para minha casa buscar, moro muito longe, sou do calendário alternativo, estudo na sexta e no sábado. Eles estão agindo de forma ilegal. Não nos avisaram isso. Como vou fazer? Ficar com quatro faltas em cada disciplina por imprudência deles? Eu não tenho esse valor”.

Uma segunda aluna, que pediu para não ser identificada, declarou que isso é uma total falta de respeito com os alunos. Enquanto o protesto era realizado, ela declarou ao PortalFolha: “Eles poderiam muito bem deixar claro o que nos aconteceria. Eles têm nosso e-mail, nosso número do celular. Por que não nos mandaram nada? Para mandar e-mail de livros novos na biblioteca, de festas que acontecerão, isso eles mandam. Os sms chegam até de madrugada. Por que não fizeram o mesmo? Isso que eles fizeram é desumano”.

O protesto foi organizado por um aluno de Direito. Ele reuniu todas as outras turmas, foi chamando de sala em sala e se encaminharam à secretaria para tentar conversar com algum responsável. Três estudantes subiram na mesa de atendimento e começaram a falar com os alunos. Protestaram, chamaram o dono, o vice, alguém que pudesse atendê-los, mas ninguém apareceu. Quando já estavam terminando, o professor Edson apareceu no local. Foi pedido que cinco protestantes fossem falar em particular numa sala. Um dos estudantes alegou que não queria, que se fosse para ser dito, teria que ser com todos. Então, encaminharam-se para o auditório Leandro Reis para esperar um responsável e sanar os problemas que eles estavam apresentando. Nada foi feito.

Depois de muito tempo esperando, todos decidiram fechar a BR, mesmo com chuva, e resolveram esperar uma resposta do diretor Wilson. Não obtendo resultado algum, às 14h, fecharam a entrada e a saída da instituição. Soltaram fogos, buzinaram, protestaram. Entraram em cada sala de aula e convidaram os alunos para se juntar aos demais.

Um e-mail do diretor da Faculdade foi enviado e entregue aos professores para ser lido aos estudantes em que dizia:

Senhores Estudantes, professores, colaboradores e gestores,

Tomei conhecimento, nesse momento, por telefone, no viva voz, através de aluno do Colegiado de Direito, acompanhando de mais 03 colegas, que há um movimento no campus da Faculdade para manifestar insatisfação em relação ao método aplicado para o controle de acesso aos módulos e salas de aula da instituição.

Entendemos que toda insatisfação deve ser manifestada, desde que esteja norteada por princípios, dentre eles o respeito, a ética e com respaldo que a fundamente.

Aguardo, dos interessados ou manifestantes, uma pauta que relate a insatisfação para que possamos de forma racional, pautados em critérios de segurança e legalidade abrir o diálogo para os entendimentos necessários.

Esclarecemos que até o momento nenhuma pauta chegou até a direção sobre os motivos alegados, por isso consideramos o movimento sem legalidade, pois em momento algum respondemos negativamente a qualquer solicitação, por não existir, o que seria a razão para o movimento generalizado.

Orientamos aos professores que mantenham a programação das aulas, a segurança que garanta o acesso e a ordem nas dependências da instituição, inclusive com a liberação das catracas, provisoriamente, para o acesso dos estudantes dispostos a participar das aulas.

Hoje, às 16h30min, no NDE, a diretoria receberá a pauta, por escrito, com as demandas motivadoras do movimento, quando informará os prazos para deliberações.

Escalaremos a todos que estamos acompanhando e registrando as manifestações, seja pelo monitoramento eletrônico, seja pela equipe de segurança para que no momento oportuno sejam apurados os excessos e ou qualquer prejuízo causado a academia, aos estudantes que não aderiram ao movimento e a integridade das pessoas em qualquer uma das situações.

Esclarecemos ainda, que até a próxima segunda feira, conforme anunciado na reunião de ontem, com os representantes de turmas, abriremos um canal direto de comunicação dos estudantes, por colegiado, para que todos possam manifestar o seu pensamento sobre diversas situações, no âmbito da instituição.

Prof. José Wilson

Diretor acadêmico.”

Muitos protestaram, também, sobre a falta de professores que, há mais de um mês, estão sem um professor fixo, devido à saída de extrema Ages 2urgência de alguns. Ainda colocaram: “Não é apenas pela catraca”.

Esse foi o primeiro protesto realizado pelos alunos, o que causou um susto nos funcionários e colaboradores. Alguns professores concordaram com a manifestação, desde que fosse feita de maneira coerente. Nenhum aluno quebrou nada, tampouco agrediu alguém.

O que fica no aguardo, agora, é para que esses problemas sejam sanados. Existem estudantes do noturno e do calendário alternativo. Quem estuda à noite é mais fácil voltar para casa e pegar o seu cartão. Mas e quem mora a 300 km de distância? Se o ônibus for assaltado e levado a carteira do estudante, ele vai pedir ao assaltante para que lhe deixe, ao menos, pegar o seu cartão ou vai pedir ao ladrão que ele dê R$ 17,00 para ele poder entrar em sua sala e poder estudar? Ou será que, para estudantes assaltados, que tiveram seu cartão roubado, seu dinheiro levado, eles abririam uma exceção?

Vale lembrar que todos que pagam têm o direito ao livre acesso. Se a mensalidade está quitada, todos têm o direito de ir e vir. Por que não é criada uma entrada com impressão digital? Por que não realizam um processo de pedir a identidade ou o número da matrícula, no ato da entrada? Afinal, quem não trouxe o cartão, o segurança digita o número, ou até mesmo o próprio aluno pode fazer isso.

Quando algo é mal organizado, as coisas tendem a dar errado; quando é organizado de uma forma melhor, não há o que temer. Se essas catracas fossem bem formuladas, a instituição não estaria passando por esse processo. Os alunos não estariam sendo prejudicados sem aulas e a instituição não ficaria com esse título de mal organizada.

Natalia Araújo

Estudante do 4° período de Direito da Instituição

Fonte Portal Folha

5 Comentário

  1. Suleima de Souza Bomfim disse:

    Natália

    Sou estudante de Pedagogia C do CAL e também não sou contra protestos como diz vocês de forma organizada e respeitando a opinião de todos, pois os seus mesmos colegas de Direito queriam obrigar as turmas a participar do protestos à força. NA MINHA TURMA FOI TÃO DESAGRADÁVEL QUE DUAS ESTUDANTES CHEGARAM A PASSAR MAL UMA SENHORA CHAMADA LAURECI QUE FOI ENCAMINHADA AO HOSPITAL E OUTRA POR NOME DE ANA ROCHA QUE CONSEGUIMOS ACALMAR NA SALA, EU PRÓPRIA POR NÃO SER DE ACORDO A PARTICIPAR QUASE FUI AGREDIDA POR TEU COLEGAS POR NÃO QUERER PARTICIPAR E NÃO COMPARTILHAR COM A REVOLTA DA CATRACA, VULGO ASSIM ELES HONROSAMENTE ESCANDALIZAM DE FORMA ABUSIVA E AGRESSIVA. VÁRIAS ALUNAS DA SALA SENTIRAM-SE AMEDRONTADAS COM AS ATITUDES POIS OS SEUS COLEGAS BATIAM A PORTA DA NOSSA SALA VARIAS VEZES CHEGANDO A DERRUBAR CARTEIRAS E EM OFENSAS AO PROFESSOR JOSÉ MARCELO, apenas não éramos de acordo a participar do movimento de vcs. Se dizem ser estudante de Direito mas não aprenderam ainda e pelo visto nunca vão entender o principio básico que o direito de um indivíduo acaba quando o do outro começa. Dedique-se mais a estudar e entender suas leis e artigos, porque o que se passou em minha turma foi a demonstração vergonhosa e descabível de como estudantes do curso de Direito ainda não aprenderam a se comportar como tal, e de que forma lutam pelos seus direitos, ofendendo e coagindo os outros. Querem mudanças correto lute por elas mas não de forma abusiva, cada qual tem direito a opinião divergente, qual estudante de qualquer outra turma impediu que protestassem. Diante do acontecido DEVERIAM ERA TER VERGONHA DE AO MENOS DIZER QUE FAZEM O CURSO DE DIREITO.

    • Natalia Araújo disse:

      Querida Suleima…

      A matéria que fiz está absolutamente informativa. Minha opinião no final é sobre o fato da existência do complexo da catraca. Em momento algum mencionei que EU ESTAVA NO MEIO DO PROTESTO. Até porque fui lá para tirar fotos de forma jornalística.
      Sei muito bem que dois alunos passaram mal. O fato de ter acontecido o que aconteceu, não te dá o direito de me mandar estudar. Quem você pensa que é? Uma estudante de pedagogia que manda uma estudante de direito ir estudar mais?
      Acredito que você deveria ler com cautela as minhas palavras e se redimir. Afinal, sou jornalista e estou informando o acontecido e dando a minha opinião sobre as catracas e sobre a fama que a faculdade ficou no decorrer disso tudo.
      Em momento algum disse que PARTICIPEI E QUE ESTAVA NO MEIO DA BAGUNÇA. Você deve medir o que fala para não tropeçar nas próprias palavras.
      Sou uma jornalista que estava lá com o intuito de informar o acontecido. Procure uma foto que eu estava no meio da BAGUNÇA e calarei minha boca. Você não achará.
      Não tem vergonha de dizer que sou estudante de direito, tampouco que fiz a matéria. Tenho vergonha de saber que uma estudante pensa como você, fala como você diz. Aliás, julga. Deveria ter certeza que eu participei da manifestação, antes de sair por aí dando informações descabidas.

      Espero que chegue a ler isso.

      • EDILMÁRIO disse:

        Somente a nível de esclarecimento, quanto à expressão: Uma estudante de pedagogia que manda uma estudante de direito ir estudar mais?”. Penso que antes de mais nada não é cabível aqui usar de um(a) estudante, seja de que curso for,como representante de um curso, e de forma generalizada. Logo,existe a necessidade de refletir a cerca da exposição do pensar. Admiro imensamente o profissional do Direito e não poderia, também, deixar de expor minha admiração ao Cientista da Educação (Pedagogo), pelos conceitos que projetaram a referida IES, junto a outros cursos, a nível nacional. Em sua luta árdua tem contribuído para o desenvolvimento de uma sociedade ética e compromissada com os princípios sociais. Por fim, em quais quer profissão, é preciso “descer do salto”, analisar o contexto e respeitar o próximo. Somente assim, acredito, é que teremos uma sociedade justa e igualitária com o real direito de reivindicar seus “direitos e cumprir com seus deveres”. Abraços e até a próxima!

  2. Marcos de Sousa disse:

    Para começar, matéria muito bem feita, expositiva e interessante.
    Em segundo lugar, gostaria de tecer um comentário sobre a ofensiva lançada pela caríssima Suleima de Souza Bomfim. A priori, acreditava que para cursar psicologia fosse necessário que se terminasse o ensino médio. A sua escrita, cara Suleima, parece muito com a de alguém com seríssimas dificuldades em dominar a língua portuguesa. A interpretação que você fez da matéria? Medíocre. Isso é reflexo de uma educação precária ou de falha intelectual. Por não te conhecer, não serei eu a julgar. Mas é difícil imaginar que alguém possa dominar os postulados de Freud, Lev Semenovitch Vygotsky ou Piaget se não consegue dominar a leitura e interpretação de um texto extremamente objetivo.
    Quanta a ofensiva em direção aos alunos de direito, é certo que o uso indiscriminado da força mancha qualquer movimento. Entretanto, o uso indiscriminado de acusações mancha a alma.
    Por fim, vale salientar que o uso do CAPS LOOK não melhora ou fortalece seus argumentos, apenas te faz parecer uma criança pirracenta.

    Sem mais,

    Marcos de Sousa, aluno do último período de letras, autor do livro “Coração de Vidro”.

    • Luan disse:

      Marcos

      você não tem que julgar em primeiro, segundo ou terceiro lugar nada. Também sou a favor da revolta mas a opinião de Suleima deve ser respeitada. Não é com opressão ou agressão que chega-se aos objetivos coletivos pleiteados. RESPEITE!


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