Jeremoabo é a quinta colocada no estado em casos de dengue

Postado por Adalberto Moreno em 22 de abril de 2015

Mais de 500 casos já foram registrados oficialmente em Jeremoabo

DenguePrimeiro, vieram as dores no corpo. Pouco tempo depois, a febre — que oscilava entre 38°C e 39°C, mas chegou a ter picos de 40°C. Passados cinco dias de cama, o estudante de Engenharia Civil da Universidade Federal da Bahia Danilo Pereira, 22 anos, já sabia que era dengue.

“Os sintomas evoluíram de uma forma surpreendente, até porque eu nunca tive antes”, contou, referindo-se ao período da última semana de fevereiro. Danilo foi um dos 17.973 casos suspeitos de dengue este ano em toda a Bahia (3.837 deles somente em Itabuna, no Sul do estado), até a semana passada, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).

Esse número representa um aumento de 144,6% em relação aos 7.346 registros do mesmo período de 2014. Ou seja, o número de notificações é quase um dobro e meio maior do que no ano passado.

Para a coordenadora do Grupo Técnico Ampliado da Dengue da Sesab, Elisabeth França, o aumento não foi bem uma surpresa — eles só não sabiam de quanto seria. “A dengue já é esperada, por ser uma doença endêmica. O que acontece é que a maior parte dos criadouros está nas casas e, por mais que exista o trabalho realizado pelas equipes municipais, onde há água limpa ou suja poderá ter o mosquito. Tendo o vírus no ambiente, é possível ter o surto”, explica Elisabeth.

Fatores – Segundo a representante da Sesab, entre os fatores que poderiam ter contribuído para o aumento da incidência da doença estão os hábitos da população, a falta de saneamento básico em alguns locais e ao fato de que o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, já está adaptado ao nosso clima.

“Não adianta não ter água parada em casa, se meu vizinho pode ter”, pontua a turismóloga Roméria de Oliveira, 37, que mora na Avenida Paralela e apresentou os sintomas da doença até meados da última semana.

Ela também foi vítima da dengue pela primeira vez e nem imaginava que pudesse ser isso: no início, Roméria achou que tinha a febre chikungunya, doença que continua a avançar no estado, com incidência maior nos municípios de Feira de Santana e Riachão do Jacuípe, ambas no Centro-Norte do estado.

“Eu não conseguia nem andar, de tanta dor. Fiquei uma semana sem trabalhar e nem conseguia abrir os olhos, por causa das dores. Quando chegou o resultado, vimos que era dengue. Foi a primeira vez e espero que seja a última”.

Alerta – Os casos de dengue estão espalhados em 255 municípios. O primeiro lugar do ranking é de Itabuna, no Sul do estado, com 3.837 casos até o início do mês de abril. Em seguida vem Ilhéus (3.198 casos), Jequié (1.316), Salvador (832) e Jeremoabo (528).

“Estamos pedindo para a população que nos ajude a evitar possíveis criadouros. Se tiver, que eliminem ou que denunciem à secretaria de seu município onde há possíveis focos de mosquito”, alerta Elisabeth. Em Salvador, é possível contatar a Secretaria Municipal da Saúde através do número 160.

Mesmo assim, de acordo com ela, não existe epidemia de dengue no estado. No mês passado, o Ministério da Saúde divulgou os índices do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), que analisou os meses de janeiro e fevereiro de 2015.

Calculado a partir da porcentagem de casas visitadas onde há larvas do mosquito transmissor da dengue, o LIRAa indicou que 11 cidades da Bahia tinham risco de epidemia de dengue. Outros 32 municípios foram classificados como em estado de alerta.

Estão em situação de risco as cidades que têm mais do que 3,9% dos imóveis pesquisados com larvas de Aedes aegypti. Já os que estão em situação de alerta têm resultados que vão de 1% até 3,9%. A pior situação foi justamente de Itabuna, com índice de 17,8%.

Para o coordenador de endemias do município, Renato Freitas, o índice alto está relacionado ao fato de que o aumento, que sempre acontece em abril, ocorreu em março. “O surto foi deslocado e também tivemos um estímulo no número de casos vindos de outros municípios. Mas estamos investigando e fazendo trabalhos nas casas, porque o nosso maior problema são os tanques e tonéis de água”.

Chikungunya: Feira e Riachão lideram casos; 119 cidades têm registro – Identificada na Bahia, pela primeira vez, em setembro do ano passado, quando houve 200 notificações, com cinco confirmações em Feira de Santana, a febre chikungunya continua a avançar na Bahia. De setembro até a primeira semana de abril, foram 5.005 casos notificados em 119 municípios. Desses, 38 notificaram mais de cinco casos suspeitos.

Em primeiro lugar, continua Feira de Santana, com 1.878 notificações. Logo em seguida, e com maior incidência em 2015, vem Riachão do Jacuípe, Nordeste do estado, com 1.631 casos, e Valente, na mesma região, com 409 ocorrências.

Com 180 registros, Salvador aparece em quarto lugar. Segundo a infectologista Ceuci Nunes, diretora do Hospital Couto Maia, a situação deve piorar, já que o sorotipo da chikungunya é diferente dos quatro da dengue, os quais, normalmente, só causam uma infecção nas pessoas.

“O brasileiro não tem proteção contra a chikungunya, por isso, é normal esperar que se espalhe. Chikungunya, em geral, não mata. Já a dengue pode matar, ainda que seja raro”, alerta. Apesar do aumento dos casos em Salvador, não há epidemia de chikungunya, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde. De janeiro a abril deste ano, foram 54 notificações.

Além disso, no total, apenas seis casos foram confirmados até aqui: três em 2014 e mais três este ano. “Os três primeiros eram de pessoas que estiveram em Feira de Santana, enquanto os três últimos eram de pessoas que contraíram em Riachão do Jacuípe”, explica Ênio Soares, coordenador da vigilância epidemiológica.

Fonte PCS


Publicidade