Bienal começa nesta quinta-feira (10), com espaço dedicado aos jovens – Jornal Correio

Vai ser no clima de uma batalha de poesias que será aberta nesta quinta-feira (10) a Bienal do Livro Bahia, no Centro de Convenções, às 9h. E a responsabilidade pelo início do evento caberá ao grupo Slam das Minas (Bahia), que vai fazer uma competição performática e dinâmica de declamação de poemas originais. A Bienal segue até o dia 15, com as atrações divididas em três seções: Arena Jovem – dedicada ao público juvenil, Café Literário – mais voltada para os adultos e o Espaço Infantil.

O investimento é de pouco mais de R$ 5 milhões e o Centro de Convenções terá mais de 150 marcas expositoras do mercado editorial. Serão mais de 70 horas de conteúdo produzido pelos mais de 100 autores e personalidades convidados.

A primeira mesa desta quinta, às 11h, será A Ciência Nossa de Cada Dia, que vai debater a importância da ciência. Participam da conversa a youtuber Rafaela Lima (Canal de YouTube Mais Ciências) e as escritoras Leda Cartum e Sofia Nestrovski (do podcast Vinte Mil Léguas e autoras de As vinte mil léguas de Charles Darwin).

Itamar Vieira Junior e Carla Madeira estão na mesa de 17h neste primeiro dia (fotos: divulgação)

Às 17h, tem início o Café Literário, com Itamar Vieira Júnior, autor de Torto Arado, e Carla Madeira, de Tudo é Rio. A mediação será de Josélia Aguiar, que é também curadora do Café. A curadoria do Espaço Infantil é de Mira Silva e a da Arena Jovem, de Schneider Carpegianni.

ARENA JOVEM “Uma programação em sintonia com o que está acontecendo no mundo”. É assim que o jornalista pernambucano Schneider Carpeggiani define a programação da Arena Jovem. Schneider é também editor do jornal literário Suplemento Pernambucano e já foi curador de eventos como a Bienal do Livro de Pernambuco e Festival de Literatura do Recife, além de ser doutor em teoria literária.

Naquele espaço, passarão desde autores consagrados como Paula Pimenta e Thalita Rebouças a revelações recentes, como Pedro Rhuas e Clara Alves, ambos de uma geração pós-redes sociais. Mas a literatura será, como diz Schneider, um “álibi” para as conversas que acontecerão ali: “Usei o espaço para fazer um tipo de programação que atraísse de maneira mais lúdica todo tipo de leitor. Não é apenas para atrair o leitor de 14 ou 15 anos”.

Por isso, serão debatidos assuntos como ciências, com os youtubers do canal Manual do Mundo; transfobia, na mesa sobre Harry Potter; maternidade, com Ivete Sangalo; e a relação entre literatura e redes sociais, com as autoras Elayne Baeta e Clara Alves.

“A mesa sobre Harry Potter, por exemplo, não será celebratória. Como estamos em 2022, precisamos ‘problematizar’. Tem, por exemplo, a questão da transfobia envolvendo a autora [J.K. Rowling]. Há 20 anos nem se falava em transfobia!”, diz Schneider.

Em uma discussão no Twitter, Rowling foi acusada de defender que a identidade das pessoas é definida exclusivamente pelo seu sexo biológico.

Outro tema que será abordado numa das mesas é a xenofobia, no bate-papo Nordeste à meia-luz, que reunirá o paraibano Cristhiano Aguiar, o baiano Ian Fraser e o potiguar Márcio Benjamin. O assunto central da mesa é a literatura noir e de terror que se produz hoje no Nordeste e em outras regiões do país.

Thalita Rebouças participa na terça-feira, às 15h

“Cristhiano Aguiar lançou o livro Gótico Nordestino, que é maravilhoso como literatura. Mas o livro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições, recebeu perseguições xenofóbicas por causa da presença de um personagem nordestino”, diz Schneider. O curador acrescenta que a mesa é uma oportunidade de quebrar estereótipos sobre a literatura nordestina, levando autores que produzem histórias com temas que não costumam ser associados ao Nordeste.

Houve um tempo em que a internet era vista como uma adversária da leitura e acreditou-se que o jovem leria menos. Mas Schneider não comunga dessa ideia. Para ele, a juventude atual lê mais que o público que hoje tem entre 30 e 40 anos de idade. O curador defende que a leitura precisa ser mais ‘naturalizada’, para que o hábito de ler se torne mais frequente:

“No Brasil, a leitura é algo ainda ‘iconoclasta’, de elite. Às vezes, vemos alguém lendo e nos espantamos: ‘Olha, fulano está lendo!'”.

As redes sociais, ao contrário do que muitos pensam, pode até ser uma aliada no estímulo à leitura, por exemplo, por causa do boca a boca que elas permitem, segundo Schneider: “As mídias sociais permitem uma interação social que o livro não permite. Na rede, eu divulgo essa leitura às pessoas ao meu redor e elas acabam interagindo comigo. As redes diminuem um pouco a solidão, que é um traço do leitor. Hoje, eu não consigo ler um livro de que eu esteja gostando e não postar algo sobre ele”.

O curador diz que a Bienal vai promover uma espécie de “congresso” desses autores mais jovens, surgidos nos últimos seis ou sete anos, com o impulso das redes sociais. Mas, sobretudo, o que interessa em relação à obra deles são os temas de que tratam, como bullying e assuntos relacionados à cultura LGBTQIA+. “Por um lado, temos esses autores mais jovens, como Clara Alves, Pedro Rhuas e Felipe Cabral, que oxigenam essa literatura voltada ao público juvenil. Do outro lado, tem Paula Pimenta, que pode ser considerada veterana quando comparada a esses outros”.

LÁZARO RAMOS O ator Lázaro Ramos também vai estar na Arena Jovem, para falar sobre seu mais recente livro, Você Não é Invisível. Ele conversa neste domingo, às 15h, com a escritora Maria Dolores Rodriguez. As relações familiares também vão estar no centro da conversa, já que este é também um dos motes do livro, que, segundo Lázaro, é inspirado em sua própria família. “É inspirado também em como foi minha adolescência e minha juventude. Fala dos recursos que encontrei para enfrentar essa fase da vida”, diz o autor.

Lázaro já havia escrito para o público infantil obras como O Pulo do Coelho e Edith e a Velha Sentada e agora se arrisca a falar com os jovens. Mas ele diz que não costuma definir a faixa etária dos leitores antes de escrever e que isso surge naturalmente:

“Sou guiado pelo assunto e sigo livremente. No meio do caminho, descubro a quem se propõe [o livro]”.

Para escrever Você Não é Invisível, ele teve uma espécie de consultoria informal de dois jovens: Agnes Brichta – filha de Vladimir Brichta – e Bernardo Silva, filho de um casal de amigos. O grupo de teatro Cine Encanto também lhe deu alguns “insights”, como diz o próprio autor.

A Bienal do Livro Bahia tem patrocínio master da Colgate, patrocínio das empresas Supergasbras, Skeelo, Suzano, Ferbasa, Bracell e Accor, e o apoio da Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo e da Fundação Gregório de Matos.

SERVIÇO: Bienal do Livro Bahia 2022 Período: 10 a 15 de novembro Horário: das 9h às 21h (quinta, sexta e segunda), das 10h às 22h (sábado e domingo) e das 10h às 21h (terça-feira) Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) Espaços: Área de Exposição, Café Literário, Arena Jovem, Espaço Infantil e Praça de Alimentação Site oficial: www.bienaldolivrobahia.com.br

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