Alceu volta a Salvador com novas versões orquestradas – Jornal Correio

Em 2014, a Orquestra Ouro Preto, de Minas Gerais, se juntou a Alceu Valença e realizou uma turnê muito bem-sucedida, chamada Valencianas. Os fãs do cantor e compositor pernambucano puderam ouvir Anunciação, Tropicana, Belle de Jour, Coração Bobo e outros clássicos dele em versões bem diferentes daquelas a que estavam acostumados.

A turnê e o DVD, que foram lançados naquela ocasião para celebrar os 40 anos de carreira de Alceu, foram tão bem aceitos que, agora, quase dez anos depois – próximo de o artista completar 50 anos de carreira -, o músico e a Orquestra voltam a se reunir para uma nova excursão pelo país, com o repertório atualizado, no espetáculo Valencianas II, que será apresentado em Salvador neste sábado (15), na Concha Acústica, às 19h.

Alceu fala do novo espetáculo com seu característico entusiasmo: “O sucesso das Valencianas foi tão intenso que sentimos uma forte necessidade de dar continuidade ao concerto. Incluímos Táxi Lunar, Tomara, Como Dois Animais, Pelas Ruas Que Andei, Tesoura do Desejo.  No atual concerto, condensamos os melhores momentos dos dois espetáculos”.

O cantor diz que a ideia daquele primeiro concerto surgiu a partir de uma ideia de Paulo Rogério Lages, “um dos grandes produtores culturais de Minas”, diz Alceu. “Ele sempre me falava muito da Orquestra Ouro Preto e sugeriu um projeto onde minhas composições fossem adaptadas para a música de concerto. O maestro Rodrigo Toffolo e o arranjador Mateus Freire foram a Olinda me mostrar os primeiros tratamentos e, a partir daí, tudo fluiu naturalmente”, lembra o artista.

Brasil profundo

Rodrigo Toffolo, que vai reger o Valencianas II, fala sobre a importância da obra do músico pernambucano, que está com 76 anos de idade: “Alceu é um ícone da música brasileira e todos nós, músicos, crescemos com essas estrelas da música na cabeça. Trabalhar com Alceu é mergulhar com mais cuidado na obra dele. Essa foi para mim uma oportunidade única”, revela o maestro, que é também diretor artístico da Orquestra Ouro Preto.

O regente acrescenta que Alceu é um conhecedor do “Brasil profundo” e, por isso, conhece bem as raízes da cultura popular brasileira. “A poesia dele retrata esse sangue que corre em nossas veias, ele consegue ter uma visão completa do que é o Brasil”. Rodrigo faz uma analogia entre Alceu e os quatro elementos naturais: “Alceu é terra, mas flerta com o fogo, a água e o ar. E isso está nas melodias dele”.

No espetáculo de aproximadamente uma hora e quarenta minutos de duração, Alceu toca violão, canta e, como é muito bom de papo, usa seu carisma para conversar com a plateia e contar um pouco a história de algumas músicas. Em relação ao repertório, Rodrigo diz que, em comparação ao Valencianas I, desta vez o público verá um Alceu mais “para dentro”, intimista.

No palco, estarão aproximadamente 25 músicos, incluindo um conjunto de cordas – com violino e contrabaixo -, além de instrumentos “plugados”, como guitarra e baixo elétricos. Na percussão, há um instrumento especial, pouco conhecido e adotado pela Orquestra Ouro Preto exclusivamente para essa turnê: o marimbau, uma espécie de berimbau com várias afinações e que é tocado deitado.

Versões instrumentais Além das canções interpretadas por Alceu, há outras que são apresentadas apenas em versão instrumental: Papagaio do Futuro vira um coco orquestrado; Acende a Luz, um frevo; Janeiro a Janeiro, ganha roupagem marcha-rancho e Estação da Luz tem uma “pegada mais pop”, segundo o maestro Rodrigo. Mas, mesmo sem a voz de Alceu, o público tem o direito de cantar, se esse for o desejo dele. “Mas em Valencianas a plateia costuma sentar para ouvir o concerto. Não é um espetáculo para dançar e, nessa hora, você percebe a beleza da poesia de Alceu, a profundidade das letras dele”.

Alceu e o maestro Rodrigo Toffolo (foto: Rapha Garcia/divulgação)

Tanto Alceu como o maestro defendem a fusão entre a música de concerto e a música popular. “Certas canções populares são tão ricas e essenciais quanto as melhores obras dos mestres da música de concerto. Não é uma questão de sacralizar ou profanar [a música erudita], mas de expandir as possibilidades da criação musical”, defende o compositor.

“Eu acredito que os dois mundos, do erudito e do popular, podem e devem se comunicar um com o outro. Essa raiz popular na música de concerto sempre foi assim. Essa separação é uma coisa moderna. Não sei por que diferenciam esses mundos, se, num passado, eles conviviam”, defende Rodrigo.

SERVIÇO Alceu Valença e Orquestra Ouro Preto: “Valencianas II” em Salvador Data: 15 de Abril – sábado Horário: 19h Local: Concha Acústica Ingressos: Plateia: R$90 – meia / R$180 – inteira Camarote: R$125 – meia/R$250 – inteira 40% de desconto no valor de inteira para Assinantes do Clube Correio

Vendas: Sympla(http://bit.ly/3ZT5bUy)

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